Editorial - ingratidão e meritocracia: dois venenos
Dois venenos tem permeado o coração dos homens e mulheres do mundo inteiro: ingratidão e meritocracia.
Infelizmente, o primeiro torna às pessoas cegas e sem memória à luz dos fatos pretéritos, históricos e que permeiam a vida de cada um de nós, fazendo com que sejamos incapazes de fazer uma leitura dos bons em relação aos que procedem com maldades. Daqueles que visam o bem comum e de outros que só visam seus interesses pessoais (Evangelho de hoje).
O segundo versa sobre a idolatria à meritocracia do homem em prejuízo do amor e do respeito às diferenças de ideologia, capacidades e distribuição dos dons de cada um em prejuízo da igualdade, equidade e solidariedade humanas, que deveriam nortear a relação interpessoal de todos nós.
Esses dois venenos tem tornado a ordem social universal deturpada desde os primórdios dos tempos. Quer seja em macro, grande, média, pequena e/ou micro escala.
Falta-nos a sensibilidade mínima para compreender esses dois venenos que tem "azedado" o mundo e os confins da Terra e do Universo.
Em sua Encíclica, Francisco, antecessor de Leão, exortou que todos somos irmãos (Fratelli Tuti). Mas, nossa limitação humana não consegue absorver o "néctar" de sua mensagem. E, o que temos assistido e até suportado na carne é exatamente o veneno a que fazemos referência.
Quando será?... Quando será que nossos olhos se abrirão, as escamas irão cair e haveremos de ter certeza que estamos na contramão da direção certa?...
Sinceramente, não sei.
Mais do que isso, me confesso impotente e cansado, fatigado por tentar e lutar todos os dias por um mundo melhor e, como João Batista, sem qualquer pretensão, clamar ao vento...
Sei que enquanto Deus me der oxigênio sobre esse estágio da vida, manterei minha reflexão e meu impulso na direção do bem. Mesmo que, como Saulo de Tarso que dizia conhecer o bem, querer o bem e acabar fazendo o mal que eu não desejo, eu possa superar minhas forças.
Que possamos debruçar sobre esse editorial e refletirmos sobre nosso comportamento, totalmente desprendidos de nossos vícios cotidianos. Assim seja!
Reisinaldo Martins Esteves* Advogado, Cristão, Jornalista Político, Catequista e Radialista
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